Pós COVID-19

E depois da COVID-19?

Testes serológicos para o SARS-CoV-2

Os testes serológicos estudam o nível de anticorpos específicos para o vírus SARS-CoV-2 presentes no sangue. Servem, portanto, para determinar se um indivíduo teve uma infeção passada ao vírus que causa a COVID-19. Se o resultado do teste for positivo, confirma-se que a pessoa já esteve infetada no passado com o novo coronavírus. No caso de o teste ser negativo podem haver várias interpretações. Por um lado, o indivíduo poderá nunca ter sido infetado pelo vírus. Por outro, poderá estar em causa uma infeção aguda ou num passado recente. Isto acontece porque os anticorpos demoram 1 a 3 semanas após infeção para serem produzidos (alguns indivíduos podem demorar mais tempo ou até mesmo não produzir anticorpos). Por estas razões, os testes serológicos, apesar de fornecerem informações relevantes, não são os mais indicados para confirmarem uma infeção atual por SARS-CoV-2 e não dão informação sobre o potencial para a transmissão do vírus a outras pessoas. Importa frisar também que, independentemente do resultado positivo ou negativo, devem continuar a ser tomadas as devidas precauções para a proteção do próprio e dos outros.1

 

Existe Imunidade adquirida ou natural ao COVID-19?

Apesar da evidência sugerir que pessoas com COVID-19 desenvolvem anticorpos protetores contra o vírus, ainda não é certo se a resposta protetora está presente em todos os infetados e durante quanto tempo os doentes ficam protegidos após os primeiros meses.2 Além disso, um estudo recente demonstrou que alguns dos indivíduos previamente infetados pelo SARS-CoV-2 podem ser portadores de níveis elevados de material viral e, assim, continuar a transmitir o vírus a outras pessoas.3

Por estas razões, pessoas infetadas (sintomáticas e assintomáticas) previamente pelo SARS-CoV-2 devem continuar a cumprir as medidas de prevenção da COVID-19 recomendadas pela DGS, nomeadamente distanciamento entre pessoas, uso de máscara, lavagem regular das mãos, regras de etiqueta respiratória e limpeza/desinfeção de locais ou materiais potencialmente contaminados pelo SARS-CoV-2.

 

Imunidade após infeção por SARS-CoV-2

Quando as pessoas são infetadas pelo SARS-CoV-2, desenvolvem anticorpos, geralmente após algumas semanas de infeção.4 Os anticorpos são proteínas criadas pelo sistema imunitário pouco depois de o indivíduo ser infetado ou vacinado. Estas proteínas ajudam o organismo no combate às doenças infeciosas e podem proteger o indivíduo contra novas infeções. A duração dessa proteção é variável de doença para doença e de indivíduo para individuo.1

No caso da infeção por SARS-CoV-2, a maioria dos doentes desenvolve níveis significativos de anticorpos contra o vírus. No entanto, a magnitude da resposta dos anticorpos poderá estar relacionada com a gravidade da doença, ou seja, infeções mais graves têm, por norma, maior resposta imunitária. Em infeções ligeiras, não é claro se todos os doentes têm níveis suficientes de anticorpos. A quantidade de anticorpos parece descer ao longo dos meses após a infeção. A maioria dos estudos sugere que a resposta imunitária está presente durante pelo menos seis a oito meses2, o que se correlaciona com dados de outras espécies de coronavírus já conhecidas previamente à pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, que apresentam uma janela temporal protetora de 3 a 12 meses.5 Além disso, a baixa taxa de novas infeções nos primeiros meses após infeção por SARS-CoV-2 fortalece a possibilidade de haver defesas imunitárias contra o vírus no organismo.2

Após a infeção, são desencadeadas respostas mediadas por células do nosso organismo e anticorpos específicos para SARS-CoV-2. Existe evidência que algumas destas respostas são protetoras, no entanto, não é claro se todos os doentes infetados desenvolvem uma resposta imunitária protetora. Também se desconhece a duração desses efeitos protetores no organismo.

 

Qual o risco de reinfeção?

Independentemente de já ter tido COVID-19 ou não, a melhor forma de prevenir a reinfeção é seguindo os mesmos passos da população geral (utilização de máscara, cumprimento do distanciamento social/de segurança, lavagem das mãos, entre outros).

O risco de reinfeção existe, estando dependente da imunidade que resulta da doença natural ou induzida pela vacina, nomeadamente da sua duração. A duração da imunidade ainda não está absolutamente esclarecida, mas pode assumir-se que num indivíduo que teve COVID-19 ou foi vacinado recentemente (não quantificaria) o risco de reinfeção é mais baixo.

Não está também totalmente esclarecido o impacto que as variantes emergentes do SARS-CoV-2 poderão ter na imunidade e nas reinfeções.

 

Vacinação e Imunidade contra o SARS-CoV-2

As vacinas já autorizadas demonstraram, após administração, níveis de anticorpos no sangue que são equiparáveis aos níveis presentes em doentes infetados pelo SARS-CoV-2. Desta forma, é possível afirmar que as vacinas conferem imunidade contra a COVID-19. No entanto, tal como nos doentes previamente infetados pelo novo coronavírus, ainda não é certo qual a duração da proteção imunitária.6

Além dos indivíduos infetados pelo SARS-CoV-2, também as pessoas vacinadas devem cumprir as restrições e medidas de prevenção recomendadas. Por um lado, um indivíduo vacinado só é considerado protegido de doença sete dias após a segunda dose da vacina. Este é o período que garante uma resposta robusta do sistema imunitário contra o vírus. Por outro lado, ainda não é certo se a vacinação impede as pessoas de terem infeções, por outras palavras, apesar de a vacina conferir proteção contra a doença COVID-19, ainda é desconhecida a capacidade de proteção contra a infeção e consequente possibilidade de transmitir o vírus mesmo sem sintomatologia.6

 

REFERÊNCIAS:

  1. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/testing/serology-overview.html
  2. https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19-epidemiology-virology-and-prevention
  3. https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2021.01.13.21249642v1
  4. https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/media-resources/science-in-5/episode-18—covid-19—immunity-after-recovery-from-covid-19
  5. https://www.ecdc.europa.eu/en/covid-19/latest-evidence/immune-responses
  6. https://covid19.min-saude.pt/perguntas-frequentes/

https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/your-health/reinfection.html
https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19-epidemiology-virology-and-prevention?search=covid%2019&topicRef=128404&source=see_link#H2549483976
https://www.ipolisboa.min-saude.pt/porque-ajudar-o-ipo/seja-dador-de-sangue/
http://www.ipst.pt/index.php/pt/programa-de-colheita-de-plasma-convalescente